Pe Abílio Vasconcelos
Editorial A Jornada não pode parar! - Côn.Abílio Soares de Vasconcelos
JMJ Rio2013
A JORNADA NÃO PODE PARAR
Se não me falha a memória, os jovens
reunidos na missa de despedida
receberam do Papa Francisco uma
grande missão: "Ide .... evangelizar".
Este mandato faz parte do lema da 28a
Jornada Mundial da Juventude sediada
no Rio de Janeiro em julho deste ano.
O que fazem os jovens
hoje, no pós-jornada?
A pergunta que fazemos, um mês após o
término da Festa do Encontro dos
Jovens, é: o que fazem os jovens hoje,
no pós-jornada? Já percorreram alguma
etapa da caminhada? Em que ponto se
encontram? O mais importante de uma
missão não é a convocação, nem o
encontro; nem a festa de despedida,
nem o folclore, nem os foguetes, mas o
resultado de cada etapa da campanha
assumida. A impressão que nos dá é que
os jovens estão parados sem rumo, sem
saber para que lado vão! Faltam
diretrizes, faltam metas a cumprir ...
acabou o combustível. Pedir aos jovens
que "metam a mão no bolso" para
subsidiar o "ide ... " é inconcebível.
Jovem só mete a mão no bolso para tirar
o lenço, quando o tem! Recordo que
sempre que se faziam as festas na
paróquia, onde eu nasci e cresci, era
exatamente para se angariar recursos
para subsidiar as campanhas pastorais,
aproveitando de modo especial a força,
a dedicação e o heroísmo dos jovens.
Jamais para gastar com foguetes e
bandas de música.
O custo - beneficio do evento Jornada da
Juventude só poderá ser avaliado nos
próximos anos pelos resultados da
caminhada, mas jovens parados é
prejuízo na certa. Não diria que um
vendaval passou, mas sim que o
encontro dos jovens, a festa, acabou. Os
palanques, que punham em destaque
autoridades e artistas, caíram; os
enfeites viraram cinzas e o muito
material restante, que nem chegou a ser
I .
usado, em breve será cinza também.
Claro, foram mais os pontos positivos
que os negativos, apesar da desorganização reconhecida até pelos organiza-
dores. Contudo, todo o mundo sabe, ou
deveria saber, que mais importante que
a Jornada é o pós-jornada. Dizem que a
pressa é inimiga da perfeição. Mais
uma vez o ditado foi confirmado. Por
que tanta pressa para sediar uma
jornada?
A cidade do Rio de Janeiro era e é um
canteiro de obras onde ninguém se
entende. E já era assim antes das
manifestações públicas contra o
Governador e contra o Prefeito. Por que
não esperar pela infraestrutura necessária para a realização da Copa do Mundo
de Futebol de 2014 e das Olimpíadas de
2016? Impossível que até lá não tenham
sido resolvidos os problemas dos
transportes públicos da cidade, dos
alojamentos mais em conta, dos
hospitais mais equipados, do atendimento médico mais rápido e eficiente ...
e tantas outras coisas da competência
da Estado e do Município, sem o perigo
de ataques dos "cristãos mal intencionados" sob a alegação de "ajuda
discriminatória dos órgãos públicos à
igreja católica, ferindo a Constituição
do País". Além do mais, o Arcebispo
do Rio de Janeiro, mais sedimentado e
refeito da herança de uma arquidiocese
bipartida e finanças abaladas, já teria
um conhecimento mais claro do
terreno, dos políticos e do próprio clero
inexperiente em quem confiou cega-
mente. Nem as viagens coletivas dos
jovens organizadores a Madri e a Roma
fizeram com que se evitasse, e até se
agravasse, a repetição dos problemas
das jornadas anteriores. Faltou experiência aos jovens e a voz prudente dos
mais velhos. Bem que o Papa aconselhou os netos a ouvir mais os avós, mas
seu conselho chegou tarde demais.
Salvaram a Jornada, São Pedro,
primeiro papa, o atual Papa Francisco e
o local paradisíaco da praia de
Copacabana, sempre sob as bênçãos do
Cristo octogenário do Corcovado, que
abriu também as portas para os "velhos" participarem da Missa do Envio
e .... a 28a Jornada da Juventude pudesse
contabilizar a linda soma de mais de
três milhões e meio de participantes.
Trezentos e cinquenta milhões de reais! Não adianta chorar pelo leite derramado, diz o nosso povo. Nem podemos
cruzar os braços. Há que se criar
quanto antes uma Comissão para não
deixar morrer o sonho desses milhares
de jovens que prometeram "ir evangelizar". Eles precisam de metas precisas e
possíveis, além de condições financeiras, pois força e boa vontade é o que não
lhes falta. O Papa, num dos seus mais
longos discursos, disse que confia nos
jovens brasileiros para esquentar e
trazer de volta os corações do católicos
que aderiram a outras religiões ou
seitas. Julgamos ser possível, e até fácil,
aliando a força e calor dos jovens à
estratégia e dinheiro dos mais "velhos".
Só boa vontade não basta ... e até Deus
proíbe que se gaste o que se não tem.
Fica criada a Comissão Pós -
Jornada da Igreja de Santa
Teresinha de Botafogo.
Dentro do princípio de que as palavras
movem, mas são os exemplos que
arrastam, fica criada desde já a
Comissão Pós-Jornada da Igreja Santa
Teresinha de Botafogo, sob a presidên-
cia do Pároco, do seu cooperador direto
Pe Frank e mais 12 apóstolos jovens, a
fim de elaborar no prazo de 30 dias as
etapas da missão "ide ... evangelizar" e
montar a campanha financeira corres-
pondente, para que as metas sejam
atingidas na sua plenitude.
Santa Teresinha, padroeira
das missões, rogai por nós.
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