A NOSSA RADIO CATEDRAL
HOMENAGEM AOS 22 ANOS DA RÁDIO CATEDRAL
Esse era o nosso grito de guerra há VINTE e DOIS anos. Precisávamos
evangelizar do alto dos telhados. São Paulo gritava bem alto “ai de mim se não
evangelizar”. Não era eu o responsável pela evangelização do Rio de Janeiro mas
a minha preocupação era grande face à avalanche tempestuosa dos evangélicos que
mais se preocupavam em esvaziar as igrejas católicas do que em somar forças com
ela.
Nos idos de 1985 passei pelo Santuário de Fátima, como sempre
o faço quando vou a Portugal. Ao sair da Capelinha das Aparições senti que uma
voz me dizia “volta para o Rio e briga por uma emissora de rádio exclusivamente
católica; os evangélicos já dominam 11 emissoras”. Nesse dia começou a minha
longa e dolorosa via sacra. Tão dolorosa que no livro A VOZ DO CORAÇÃO chego a
dividir a minha vida em “antes e depois da rádio catedral”. Antes da rádio:
Prefeito e Professor do Seminário, Ecônomo do Seminário, administrador do
Sumaré e da Fazenda das Arcas, Procurador da Arquidiocese, Pároco da Catedral,
etc, etc...; depois da rádio: removido para a cidade eterna...de onde ainda
pensam não ter voltado!
A nossa campanha pela aquisição de rádio começou oficialmente
no dia em que o Cardeal D. Eugênio Sales comemorava os vinte anos de arcebispo
do Rio de Janeiro. Nenhum dos promotores da festa teve coragem de anunciar,
durante a missa solene na catedral, que exatamente nesse dia e nessa hora
estava desabrochando o maior sonho do homenageado. No fim da missa, porém,
nenhum dos presentes voltou para casa sem um folheto ilustrativo mostrando
ondas sonoras saindo da igreja mãe, a Catedral, e os dizeres: A NOSSA RADIO
CATEDRAL VEM AÍ.
Veio. Quiseram até dar-lhe outro nosso, porque CATEDRAL não
facilitava a imitação do “plin, plin” da radio GLOBO. Chegaram tarde com as
novas sugestões porque o nome Catedral já estava gravado no coração dos
católicos da cidade maravilhosa e cidades circunvizinhas.
Nunca me faltaram forças para lutar pela emissora de rádio
mesmo quando me chamaram de “maluco” ao tentar comprar a rádio TROPICAL FM por
um milhão de dólares porque na infância de quem me batizou com esse “lindo nome”,
invadia o Brasil o filme POR UM MILHÃO DE DÓLARES.
A Rádio Catedral, mesmo sendo uma concessão gratuita, acabou
custando mais de um milhão de dólares e só foi ao ar cinco anos após o previsto
inicialmente! Ao apelo “vamos todos evangelizar para colher muitos dividendos
no céu” o povo católico do Rio de Janeiro amanheceu nas portas do banco
Bradesco para investir na evangelização.
Pedir e agradecer era a minha missão. Contribuição mínima
equivalia a um real de hoje. Ultrapassamos rapidamente os 30.000 amigos da
radio, mas o sonho era chegar a um milhão de amigos. Todos os depósitos eram
feitos pelos doadores (homens, mulheres, jovens e crianças) diretamente nas contas bancárias da campanha e
nunca tive procuração da Arquidiocese para movimentar nenhuma dessas contas.
Sei que, quando parti para o exilio romano, a Radio Catedral FM estava no ar há
quatro anos. Não havia dívidas, e a campanha iniciada para adquirir uma emissora
de rádio AM estava prestes a alcançar os 700 mil dólares.
Quando jovem, meu avô bem me alertou que a estrada para o sucesso
não é reta: tem as curvas do fracasso, trevos de confusões e quebra-molas dos
superiores. Aprendi também, pois meus pais assim me educaram, que se eu
mantiver ativo o motor da fé, Deus na direção da minha vida e umas 30 libras de
calibragem no estepe da minha determinação, mesmo que alguém consiga reduzir-me
a cinzas, eu ressurgirei mais glorioso que a fénix.
Hoje, enquanto durmo, alguém na Rádio Catedral evangeliza por
mim... e eu acordo tranquilo repetindo: a nossa radio catedral está aí, evangelizando
dia e noite... Rádio Catedral 22 anos no ar...e eu sei que faço parte dessa
história.