Editorial
Está
chegando ao fim do ano
Abílio Soares de Vasconcelos
Abílio Soares de Vasconcelos
Em chegando
ao fim do ano, posso confessar que nunca tinha descido tão profundamente ao fundo do poço do desânimo, nem ao domínio da
vontade de voltar às origens.
Vai-se pai, vai-se mãe, vão-se os amigos às
levas, uns morrendo outros
sendo sumariamente destituídos
dos seus ofícios, vai-se assim abruptamente a esperança de uma ressureição dos tempos de outrora e as primaveras predominavam nos campos em flor da Fazenda das Arcas e dentro e fora da Rádio Catedral, hoje
ambas totalmente desfiguradas. No
meio de todo esse apogeu, era
com orgulho e santa vaidade que o clero desfilava
pelos andares do edificio
João Paulo II
que espelhava a saúde da economia da
Arquidiocese do Rio de Janeiro, num
crescendo constante, desde o desprendido Cardeal Leme, que trocou o seu
carro particular pela fazenda das Arcas
para dar maior conforto aos seminaristas em férias, até ao mão segura do
Cardeal Sales, que administrou a
Arquidiocese por 28
anos consecutivos
construiu o Sumaré, o João
Paulo II e a
Rádio Catedral.
Acompanhei esse tempo áureo! A
fazenda de Itaipava era o refúgio dos
padres nas segundas-feiras, o repouso
dos fiéis nos finais de
semana ... o paraíso que todo o ex-seminarista recorda
com saudade. Lá investi milhares de reais meus e de meus amigos na reforma da
sede e viabilidade do campo, mas, ao voltar de Roma, tudo estava já entregue
às baratas:
tinham vendido para o açougue as vacas holandesas que produziam
mais de 200 litros de leite por dia,
fechado os lacticínios, destruído as hortas, mandado embora quem sabia trabalhar e queria produzir. Resultado: hoje o
Seminário de São José gasta com sua
manutenção entre 20 e 30 mil reais todo
o mês! Há como reverter o processo
mas não querem. Estão, sim, querendo
vendê-la para pagar as dívidas da
Jornada da Juventude! Tremi de indignação! De santa indignação para quem
trocou caviar por sardinha
para ver crescer o patrimônio da igreja, acompanhou
as duas visitas anteriores do Papa ao
Rio de Janeiro e viu que o resultado, tanto da primeira como da segunda, foi altamente positivo mesmo em termos
financeiros.
Enfim! Eis que parece chegar a salvação e já se renova a esperança de se
manter as ferramentas mínimas para um
bom trabalho pastoral nos próximos
anos. A notícia
vem do Estado de Minas, de 29/11/2013, setor Giro pelo Brasil:
- "A Arquidiocese do Rio de Janeiro
será socorrida por um financiamento do
Papa Francisco por causa do rombo
deixado depois da
Jornada da Juventude
(JMJ). A Santa Sé deverá contribuir
com um "valor significativo" e
está
negociando os termos. Se o evento, realizado entre 23 e 28 de julho, foi um sucesso total para a imagem do Papa
Francisco em sua primeira viagem
internacional, o Vaticano e o Papa
pessoalmente ficaram preocupados
diante
da falta de controle com os gastos, justamente em um
pontificado marcado
pela austeridade e pelas
ordens do
Pontífice aos sacerdotes para que evitem exageros. A jornada acabou custando R$ 350 milhões. Parte do valor foi
pago com as inscrições dos participantes. Recursos públicos também foram
usados, num total de R$ 118 milhões.
Ainda assim, o evento terminou com
uma dívida de R$ 90 milhões para a
Arquidiocese do Rio, responsável pela
organização. "
Essa foi a notícia fresquinha que saiu no
jornal EM, verdadeira ou falsa no todo
ou em parte, não o sei, até porque ainda
não houve prestação de contas oficial
da Arquidiocese nem para os padres,
contudo, resta uma forte
esperança de
que a Fazenda das Arcas não tenha o
mesmo fim que teve o Hospital da Quinta da Boa Vista, suor e lágrimas de
Mons. Abilio da Nova, e que a Rádio
Catedral ganhe uma roupagem nova já
no próximo ano para subir aos telhados
e anunciar a alto e bom
tom a vinda do Salvador para implantar na terra o reino
do amor, justiça e paz. Só assim espero
esquecer as feridas profundas de mais
um ano que passou.
Rorate coeli desuper et nubes pluant justum. (Canto do advento, conf. Is 45,8
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