segunda-feira, 28 de abril de 2014

Estamos chegando ao fim do ano (dezembro de 2013)


Editorial

Está chegando ao fim do ano
                                                                                                                                   Abílio Soares de Vasconcelos


Em chegando ao fim do ano, posso confessar que nunca tinha descido tão profundamente ao fundo do poço do desânimo, nem ao domínio da vontade de voltar às origens.

Vai-se pai, vai-se mãe, vão-se os amigos às levas, uns morrendo outros sendo sumariamente destituídos dos seus ofícios, vai-se assim abruptamente a esperança de uma ressureição dos tempos de outrora e as primaveras predominavam nos campos em flor da Fazenda das Arcas e dentro e fora da Rádio Catedral, hoje ambas totalmente desfiguradas. No meio de todo esse apogeu, era com orgulho e santa vaidade que o clero desfilava pelos andares do edificio João Paulo II que espelhava a saúde da economia da Arquidiocese do Rio de Janeiro, num crescendo constante, desde o desprendido Cardeal Leme, que trocou o seu carro particular pela fazenda das Arcas para dar maior conforto aos seminaristas em férias, até ao mão segura do Cardeal Sales, que administrou a Arquidiocese por 28 anos consecutivos construiu o Sumaré, o João Paulo II e a Rádio Catedral.

Acompanhei esse tempo áureo! A fazenda de Itaipava era o refúgio dos padres nas segundas-feiras, o repouso dos fiéis nos finais de semana ... o paraíso que todo o ex-seminarista recorda com saudade. Lá investi milhares de reais meus e de meus amigos na reforma da sede e viabilidade do campo, mas, avoltar de Roma, tudo estava já entregue às baratas: tinham vendido para o açougue as vacas holandesas que produziam mais de 200 litros de leite por dia, fechado os lacticínios, destruído as hortas, mandado embora quem sabia trabalhar e queria produzir. Resultado: hoje o Seminário de São Jogasta com sua manutenção entre 20 e 30 mil reais todo o mês! Há como reverter o processo mas não querem. Estão, sim, querendo vendê-la para pagar as dívidas da Jornada da Juventude! Tremi de indignação! De santa indignação para quem trocou caviar por sardinha para ver crescer o patrimônio da igreja, acompanhou as duas visitas anteriores do Papa ao Rio de Janeiro e viu que o resultado, tanto da primeira como da segunda, foi altamente positivo mesmo em termos financeiros.

Enfim! Eis que parece chegar a salvação e se renova a esperança de se manter as ferramentas mínimas para um bom trabalho pastoral nos próximos anos. A notícia vem do Estado de Minas, de 29/11/2013, setor Giro pelo Brasil:

- "A Arquidiocese do Rio de Janeiro será socorrida por um financiamento do Papa Francisco por causa do rombo deixado depois da Jornada da Juventude (JMJ). A Santa Sé devecontribuir com um "valor significativo" e está negociando os termos. Se o evento, realizado entre 23 e 28 de julho, foi um sucesso total para a imagem do Papa Francisco em sua primeira viagem internacional, o Vaticano e o Papa pessoalmente ficaram preocupados diantda falta de controle com os gastos, justamente em um pontificado marcado pela austeridade e pelas ordens do Pontífice aos sacerdotes para que evitem exageros. A jornada acabou custando R$ 350 milhões. Parte do valor fopago com as inscrições dos participantes. Recursos públicos também foram usados, num total de R$ 118 milhões. Ainda assim, o evento terminou com uma dívida de R$ 90 milhões para a Arquidiocese do Rio, responsável pela organização. "

Essa foi a notícia fresquinha que saiu no jornal EM, verdadeira ou falsa no todou em parte, não o sei, até porque ainda não houve prestação de contas oficial da Arquidiocese nem para os padres, contudo, resta uma forte esperança de que a Fazenda das Arcas não tenha o mesmo fim que teve o Hospital dQuinta da Boa Vista, suor e lágrimas de Mons. Abilio da Nova, e que a Rádio Catedral ganhe uma roupagem nova já no próximo ano para subir aos telhados e anunciar a alto e bom tom a vinda do Salvador para implantar na terra o reino do amor, justiça e paz. Só assim espero esquecer as feridas profundas de mais um ano que passou.
 
Rorate coeli desuper et nubes pluant justum. (Canto do advento, conf. Is 45,8

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